Após mais de 25 anos de negociações, o acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado em 17 de janeiro de 2026, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. O tratado envolve cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões, marcando um momento histórico para o comércio internacional.
O que o acordo representa
O tratado promete ampliar o fluxo comercial entre os dois blocos, reduzir barreiras e abrir novas oportunidades para empresas que atuam em importação e exportação. Para o Brasil, os impactos tendem a ser especialmente positivos no setor agropecuário.
Em 2025, as exportações brasileiras de produtos agrícolas para a União Europeia somaram US$ 21,8 bilhões, representando 44% da pauta exportadora brasileira para o bloco. A expectativa é que o acordo fortaleça ainda mais a posição do Brasil como fornecedor estratégico de alimentos e commodities agrícolas.
Principais mudanças para o comércio exterior
Entre as transformações previstas pelo acordo, destacam-se:
Redução de tarifas aduaneiras
Mais de 90% dos produtos comercializados entre os blocos terão redução ou eliminação de tarifas, o que pode diminuir custos e aumentar a competitividade de itens como veículos, máquinas, equipamentos industriais e commodities.
Mais acesso ao mercado europeu para o agronegócio
O acordo prevê cotas preferenciais para produtos do Mercosul, como carne bovina, açúcar e etanol, ampliando as oportunidades de exportação.
Facilitação de processos aduaneiros
A simplificação de procedimentos alfandegários deve reduzir burocracia, agilizar operações e tornar as cadeias logísticas mais eficientes.
Proteção de indicações geográficas
Produtos tradicionais de ambos os blocos passam a ter reconhecimento e proteção, valorizando sua origem e qualidade.
Compromissos com sustentabilidade
O acordo inclui cláusulas sobre proteção ambiental e direitos trabalhistas, incentivando práticas empresariais alinhadas a padrões internacionais.
Situação da ratificação
Apesar de já ter sido assinado, o acordo ainda precisa ser ratificado para entrar em vigor.
No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o texto em 25 de fevereiro de 2026, e ele segue agora para votação no Senado. Na União Europeia, o Parlamento Europeu solicitou ao Tribunal de Justiça do bloco uma análise sobre a conformidade do tratado com os acordos europeus, o que pode impactar o cronograma de implementação.
Por que acompanhar esse processo
Para empresas que atuam no comércio exterior, acompanhar cada etapa da ratificação é essencial. A entrada em vigor do acordo pode reduzir custos, ampliar mercados e criar novas oportunidades de negócios, tornando o planejamento estratégico ainda mais importante nos próximos anos.





