Pensando fora da caixa

Redução de custos e eficiência operacional têm sido o foco do varejo nos últimos meses neste 2020 atípico para o mercado, durante os quais presenciamos drástica mudança na forma de consumo, na relação entre empresários e seus colaboradores e, em especial, na renegociação de valores, prazos e condições de compra com os fornecedores. A cadeia de suprimentos mudou. E não será mais a mesma.

Novos modelos de negócios envolvem disputas pelo mercado consumidor - cada vez mais raro. Essa disputa não ocorre mais no âmbito de lojas versus lojas, mas na perspectiva de Cadeia de Suprimentos versus Cadeia de Suprimentos, segundo a qual ganha mais quem possui maior eficiência logística, menores custos e prazos de entrega ao consumidor, política de integração de informações com redução de estoques, além de, claro, competente logística reversa.

Em 1980, o autor norte-americano Michael Porter revolucionou o mercado editorial e acadêmico ao lançar o livro Estratégia Competitiva, no qual já se mencionava, de forma enfática, que as empresas devem buscar estratégias que possam ser utilizadas, separadamente ou em conjunto, para criar posição sustentável em longo prazo: a de Custo, a de Diferenciação e/ou a de Foco.

É exatamente aí que entra a possibilidade de se importar diretamente, prática ainda tão desconhecida e temida por grande parte dos varejistas. Trata-se de um mundo de produtos que faz com que o varejo escolha qualquer uma das três estratégias acima para atuar no mercado de importação.

Segundo o Governo Federal, em 2019, já somavam no Brasil mais de 47 mil empresas importadoras, as quais já perceberam os benefícios de se importar diretamente insumos e/ou produtos que serão produzidos ou revendidos.

Não é preciso ser grande para importar! Não é preciso comprar um container inteiro só para as suas mercadorias! Não é preciso visitar a China para não ser enganado pelo seu fornecedor! Não é preciso pagar sempre antecipadamente (por mais que seja uma prática comum)!

É possível, sim, financiar importações a juros muito baixos, com trava cambial, evitando deixar parcelas futuras à mercê do humor do mercado internacional! Sim, tudo isso é possível!

Por que, então, continuar comprando "ferro a ferreiro"? Para que comprar de quem já importou e para que pagar mais caro de quem já embutiu em seus preços de venda os impostos pagos e custos com logística, armazenagem, frete, mão de obra e segurança?

É hora de repensarmos o modelo de negócios! Convido-os, pois, a pensar fora da caixa, ou melhor, fora do País.

Fonte: Aduaneiras
Autor: Paulo Elias